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Série Subsídios Financeiros

Operações Agrícolas
e o Plano Safra

Equalização de taxas de juros e impacto orçamentário

Leitura: 5 min

Nos últimos anos, grande parte dos subsídios do Tesouro Nacional ao setor agrícola ocorre por meio do Plano Safra, programa do Governo Federal que apoia a agricultura e a pecuária no Brasil. O Plano Safra é estruturado em ciclos anuais de julho a junho do ano seguinte. A cada novo ciclo (ou safra), o governo anuncia o volume de recursos que será disponibilizado para produtores de diferentes portes. Esses recursos são oferecidos principalmente na forma de crédito rural com condições mais vantajosas que as do mercado, permitindo financiar lavouras, insumos, máquinas, tecnologia e a modernização das propriedades.

Subsídio do Tesouro Nacional no Plano Safra

A principal modalidade de subsídios do Tesouro Nacional no Plano Safra é a equalização das taxas de juros, modalidade de subvenção econômica na qual o Tesouro paga uma parte dos juros de financiamento à instituição financeira para permitir que o tomador do financiamento pague uma taxa de juros menor.

A equalização de taxas de juros apoia financiamentos da agricultura familiar e empresarial. No caso da agricultura empresarial, esse apoio é operacionalizado por meio de três ações orçamentárias, apresentadas a seguir.

Custeio Agropecuário: Subsídio para financiamentos voltados a ajudar o produtor rural a cobrir os gastos do dia a dia da sua atividade, seja na agricultura ou na pecuária. Com esse crédito, ele pode comprar sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, ração, vacinas, combustível e outros insumos. Em outras palavras, é um recurso que garante que o produtor tenha tudo o que precisa para iniciar e manter a produção sem ter que arcar sozinho com todos os custos.

Investimento Rural: Subsídio para financiamentos voltados para melhorias de longo prazo na propriedade e na produção. Diferente do custeio, o investimento é pensado para modernizar, ampliar ou tornar a atividade rural mais eficiente. Com esse recurso, o produtor pode comprar máquinas e equipamentos, construir ou reformar galpões, implantar sistemas de irrigação, ou até investir em tecnologias que aumentem a produtividade e a sustentabilidade da sua produção. Como esses projetos levam mais tempo para dar retorno, o prazo para pagar o empréstimo costuma ser maior, e os juros são mais baixos do que os de um financiamento comum.

Comercialização: Subsídio para financiamentos que ajudam o produtor rural na hora de vender sua produção. Muitas vezes, logo após a colheita, os preços do mercado estão baixos. Essa linha de crédito permite que o produtor consiga um empréstimo para guardar sua produção por um tempo e esperar o melhor momento para negociar.

Na agricultura familiar, o principal programa é o Pronaf. Diferente das linhas tradicionais, que atendem produtores de diversos portes, o Pronaf foi criado para apoiar quem trabalha em pequenas propriedades e depende da própria produção para viver. Reúne linhas de custeio e de investimento adaptadas a essa realidade, com prazos mais longos e juros menores que os das demais modalidades de crédito.

O gráfico abaixo detalha os pagamentos do Tesouro Nacional referentes às operações de agricultura familiar e empresarial.

Impacto do Plano Safra no Orçamento

Quando um agricultor contrata um financiamento pelo Plano Safra, paga juros reduzidos ao banco, e o Tesouro Nacional cobre a diferença por meio da equalização de taxas. Isso significa que um contrato firmado hoje vai gerar pagamentos de equalização de taxas pelo Tesouro Nacional durante todo o prazo do financiamento, que pode chegar a mais de uma década. Por esse motivo, os pagamentos do Tesouro Nacional vinculados a um Plano se estendem por muitos anos após sua contratação.

Para ilustrar, o gráfico a seguir apresenta os pagamentos do Tesouro Nacional referentes a diversas safras, considerando os pagamentos realizados e os projetados até o fim das operações contratadas.

Como podemos observar, cada Plano Safra pode custar mais ou menos ao Tesouro Nacional e isso vai depender de diversos fatores, como o limite de contratação disponibilizado, o montante de fato contratado pelos agricultores, as taxas definidas em cada Plano e as taxas de mercado nos períodos de pagamento de equalização de taxas de juros.

Outro aspecto relevante é que as curvas de pagamento de equalização de todos os Planos Safra apresentam um formato: no primeiro ano, os gastos ainda são baixos, porque os financiamentos só começam a ser contratados em julho. No segundo ano, ainda existem novas contratações até junho, e muitas operações estão no período de carência, quando o agricultor não precisa pagar juros e, por isso, o governo também não gasta com equalização. É só depois disso que os pagamentos realmente crescem, chegando ao ponto mais alto. A partir daí, os gastos começam a cair aos poucos, conforme os financiamentos vão sendo pagos e o saldo total diminui.

Por isso, a cada ano o Tesouro Nacional paga equalizações do Plano Safra vigente e também de uma série de Planos Safras anteriores que ainda têm operações contratadas em fase de repagamento, como mostra o gráfico a seguir.

Distribuição Regional

A distribuição regional dos subsídios agrícolas segue tendência semelhante à observada no primeiro artigo desta série, embora a região Sul, que se destacava no panorama geral, tenha participação proporcionalmente menor no Plano Safra. O gráfico abaixo detalha essa distribuição.

Dados & Recursos